Frete rodoviário ganha alternativa de capital de giro com recebíveis de CIOT, segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM

Clara Belvera
Por Clara Belvera
ID CTVM

Transportadoras de pequeno e médio porte que operam fretes rodoviários registrados no Cadastro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas utilizam os valores a receber de embarcadores como lastro para antecipar recursos e sustentar despesas de combustível e manutenção da frota

O transporte rodoviário de cargas, responsável pela maior parte da movimentação de mercadorias dentro do território brasileiro, envolve um intervalo característico entre o momento em que uma transportadora assume o compromisso de realizar um frete e o momento em que efetivamente recebe o pagamento do embarcador contratante, prazo que costuma variar conforme o porte do embarcador e as condições comerciais negociadas em cada contrato de transporte. Para transportadoras de pequeno e médio porte, esse intervalo representa um desafio recorrente de capital de giro, uma vez que despesas como combustível, pedágio e manutenção da frota precisam ser custeadas antes do recebimento do frete contratado.

Fundos de investimento em direitos creditórios lastreados em valores a receber de operações de frete surgem como alternativa para equalizar esse descompasso, permitindo que transportadoras antecipem parte da receita já contratada junto a embarcadores, com base em registros eletrônicos que comprovam a existência e as condições de cada operação de transporte.

Registro eletrônico da operação sustenta a validação do recebível

A validação de um recebível de frete depende da confirmação de que a operação de transporte foi efetivamente registrada nos sistemas eletrônicos que documentam o Cadastro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, mecanismo que formaliza informações como o valor do frete contratado, as partes envolvidas e as condições de pagamento acordadas entre transportadora e embarcador. Essa formalização eletrônica facilita o trabalho de administradores fiduciários na checagem da existência e da integridade de cada recebível antes de sua incorporação à carteira de um fundo estruturado.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, essa digitalização do registro de operações de frete é o que viabiliza a estruturação de fundos lastreados nesse tipo de recebível em maior escala.

“A digitalização do registro de operações de transporte rodoviário deu mais segurança para que administradores fiduciários consigam validar, de forma ágil, a existência de cada recebível antes de aceitá-lo como lastro de um fundo. Isso amplia o acesso de transportadoras de menor porte a uma fonte de capital de giro que antes dependia quase exclusivamente de negociação direta com o próprio embarcador ou de linhas bancárias tradicionais”, explica o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados a diferentes segmentos da economia real, o que inclui operações lastreadas em recebíveis de transporte rodoviário de cargas, aplicando a esses ativos processos de conciliação e auditoria de lastro adaptados às particularidades documentais desse setor.

Concentração por embarcador exige atenção na composição da carteira

Transportadoras que concentram parcela relevante de sua receita em poucos embarcadores de grande porte apresentam perfil de risco distinto de operações com uma base mais diversificada de contratantes, uma vez que a saúde financeira e o histórico de pagamento de cada embarcador influenciam diretamente a qualidade do recebível cedido ao fundo. Administradores fiduciários acompanham essa concentração como parte da análise de risco de uma carteira lastreada em recebíveis de frete, de forma semelhante ao que ocorre em outros setores pulverizados entre múltiplos pagadores finais.

Transportadoras especializadas em cargas específicas, como produtos refrigerados ou cargas de maior valor agregado, costumam negociar fretes com margens mais elevadas do que operações de carga geral, o que influencia tanto a atratividade quanto o perfil de risco dos recebíveis originados por cada tipo de operação transportadora.

Sazonalidade da demanda por frete influencia o ritmo de originação

A demanda por transporte rodoviário de cargas no Brasil apresenta variações sazonais associadas a fatores como o calendário de safras agrícolas e o comércio varejista, com períodos de maior movimentação concentrados em janelas específicas do ano, o que impacta diretamente o volume de recebíveis originados por transportadoras ao longo dos diferentes meses. Fundos estruturados lastreados nesse tipo de ativo costumam considerar essa sazonalidade na modelagem do fluxo de caixa esperado, evitando projeções lineares que não reflitam o comportamento real da demanda por frete em cada período.

Transportadoras que atuam sob contratos de longo prazo com embarcadores fixos, garantindo volume mínimo recorrente de cargas, tendem a apresentar um fluxo de recebíveis mais previsível do que operações dependentes majoritariamente do mercado spot de fretes, no qual cada viagem é negociada de forma pontual conforme a demanda momentânea. Essa distinção entre operações contratuais e operações de mercado aberto compõe, junto ao histórico de pagamento de cada embarcador, o conjunto de fatores avaliados por administradores fiduciários na estruturação de um fundo lastreado em recebíveis desse setor.

Perspectivas para o crédito estruturado no transporte rodoviário de cargas

Com o transporte rodoviário mantendo papel central na logística de distribuição de mercadorias no Brasil e transportadoras de pequeno e médio porte buscando alternativas de capital de giro compatíveis com o ciclo de recebimento de fretes, a tendência é que operações de crédito estruturado lastreadas nesse tipo de recebível ganhem espaço complementar dentro da indústria de FIDCs. Para administradores fiduciários especializados nesse segmento, a capacidade de validar com segurança a existência de cada operação de frete deve seguir como um diferencial técnico relevante para sustentar a confiança de investidores nesse setor da economia real.

Sobre a ID CTVM 

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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