Metrô-DF opera perto do colapso, aponta vistoria da Câmara Legislativa

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
Metrô-DF opera perto do colapso, aponta vistoria da Câmara Legislativa

Relatório da CTMU mostra que apenas 19 dos 32 trens funcionam no horário de pico e que a rede não é ampliada desde 2006.

Um relatório produzido pela Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa do Distrito Federal revelou um cenário crítico na operação do Metrô-DF, com falhas estruturais que colocam em risco a continuidade do serviço. Segundo a apuração da coluna Brasilianas, do Correio da Manhã, a vistoria da CLDF descreve o sistema como estando a um passo do colapso, funcionando praticamente no limite da capacidade técnica. O documento mostra que, dos 32 trens que compõem a frota, apenas 19 estavam disponíveis no horário de pico no momento da vistoria, número que já caiu para 12 em dias mais críticos. Para quem depende do metrô todos os dias, a pergunta que fica é simples: o que está travando os investimentos e quando a situação deve melhorar.

Por que o sistema está perto de parar de funcionar?

O diagnóstico da CLDF aponta um conjunto de problemas que se acumulam há anos. As composições fora de operação estão paradas por descarrilamento, incêndio, falhas estruturais ou peças obsoletas, com previsão de retorno que varia de 12 a 24 meses, um intervalo considerável para um sistema que já opera no limite. Além disso, a rede não recebe uma expansão real desde 2006, quando foi concluído o trecho até Ceilândia Sul, o que significa quase duas décadas sem ampliação da malha em uma cidade que cresceu de forma significativa nesse período.

A execução orçamentária ajuda a explicar o atraso. De acordo com o levantamento, o nível de investimento não superou 11% do valor aprovado na Lei Orçamentária Anual desde 2020, e em 2023 apenas R$ 640 mil foram efetivamente utilizados, o equivalente a 0,37% do previsto. Mesmo com os valores empenhados subindo para R$ 111,6 milhões em 2025, oito vezes mais do que em 2023, a execução das metas continua baixa, e em maio de 2026 cerca de 39% da dotação financeira ainda estava bloqueada, o que compromete o pagamento de contratos essenciais para a manutenção da frota.

O que a falta de pessoal revela sobre a crise?

Além do problema orçamentário, a vistoria da Câmara Legislativa identificou um entrave de recursos humanos que se arrasta desde 2013, ano do último concurso público realizado pela companhia. Sem reposição de quadros, o efetivo encolheu ainda mais em 2025, e o índice de absenteísmo médico entre os servidores está acima da meta interna estabelecida pela própria empresa. Esse cenário de equipe reduzida se soma às falhas de manutenção consideradas básicas pelo relatório, como a revisão do lastro sob os trilhos e o revestimento de azulejos em estações que já têm quase 40 anos de uso.

O contraste entre a urgência apontada pela vistoria e algumas decisões administrativas recentes chamou atenção dos parlamentares. Enquanto o sistema enfrenta risco de paralisação, dois pregões eletrônicos abertos em 2026 tratam da locação de veículos automotores para a diretoria do Metrô-DF e da contratação de seguro para essa frota administrativa, o que reforça a percepção de descompasso entre prioridades operacionais e gastos de gestão.

O que muda para os passageiros e quando as obras avançam?

Apesar do cenário de alerta, o Metrô-DF também tem projetos de expansão em andamento. As obras de extensão para Samambaia e Ceilândia devem acrescentar 5,9 quilômetros à rede, elevando a extensão total de 42,3 km para 48,2 km e a capacidade diária de 160 mil para cerca de 180 mil passageiros, segundo o diretor-presidente da companhia, Handerson Cabral. Já a Linha 2, que ligaria a região Sul do Distrito Federal ao Plano Piloto, ainda está em fase de estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental, com estimativa de custo entre R$ 13,4 bilhões e R$ 20,4 bilhões.

Para o passageiro que enfrenta trens superlotados no dia a dia, esses projetos representam um horizonte de melhoria, mas ainda distante. Enquanto a modelagem econômica da Linha 2 não avança para a fase de licitação, e enquanto a execução orçamentária das obras já aprovadas continuar represada, o sistema deve seguir operando com a mesma margem apertada identificada pela Câmara Legislativa. A tramitação do processo de compra de 15 novos trens, anunciada em 2024, também não teve os estudos técnicos concluídos até o momento, o que adia qualquer perspectiva de renovação imediata da frota.

Fontes: https://www.correiodamanha.com.br/colunistas/brasilianas/2026/06/amp/294221-brasilianas-metro-df-enfrenta-risco-de-colapso-diz-vistoria-da-camara-legislativa.html | https://jornaldebrasilia.com.br/brasilia/metro-df-amplia-obras-e-projeta-atender-180-mil-passageiros-por-dia/ | https://www.metrocptm.com.br/linha-2-do-metro-de-brasilia-pode-custar-ate-rdollar-20-bilhoes-para-transportar-130-mil-passageiros-por-dia/

Compartilhe esse artigo