Governadora Celina Leão, senador Izalci Lucas e ex-governador José Roberto Arruda estão entre os políticos que miram o comando do GDF em 2026
A disputa pelo Governo do Distrito Federal (GDF) começa a ganhar contornos mais claros a menos de três meses das eleições de outubro. Até agora, oito pré-candidatos já sinalizaram interesse em disputar o Palácio do Buriti, segundo levantamento do Metrópoles. A lista reúne desde nomes que já ocuparam o cargo até lideranças que despontaram em áreas como segurança pública, educação e movimentos sociais. Para o eleitor, a dúvida que fica é: quem, entre esses nomes, tem de fato condições de chegar ao segundo turno, e o que cada um representa em termos de continuidade ou ruptura com a gestão atual? Os nomes ainda precisam ser confirmados em convenções partidárias, que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, e os partidos têm até 15 de agosto para formalizar os pedidos de registro na Justiça Eleitoral.
Quem são os pré-candidatos ao Palácio do Buriti
À frente do grupo está a atual governadora, Celina Leão (PP), que assumiu o cargo em março de 2026 após o então governador Ibaneis Rocha (MDB) renunciar para disputar uma vaga no Senado. Natural de Goiânia, Celina construiu carreira política no DF desde 2011, quando foi eleita deputada distrital pela primeira vez, e chegou à vice-governadoria em 2022. Do lado oposto ao PP no espectro de disputa está o senador Izalci Lucas (PL), que já soma passagens pela Câmara Legislativa e pela Câmara dos Deputados desde 2003 e ocupa uma cadeira no Senado desde 2019. Sua pré-candidatura, no entanto, enfrentou resistência de parte do próprio partido, incluindo declarações públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em apoio a Celina Leão.
Completam a lista o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que governou o DF a partir de 2006 mas hoje enfrenta questionamentos sobre sua elegibilidade após condenações por improbidade administrativa ligadas à Operação Caixa de Pandora; o advogado Kiko Caputo (Novo), ex-presidente da OAB-DF; o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT), que concorreu ao GDF em 2022 e mais recentemente presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB); o ex-interventor federal da Segurança Pública do DF, Ricardo Cappelli (PSB); e Samara Mineiro (UP), professora formada em Geografia pela Universidade de Brasília e moradora de Sobradinho.
Por que essa disputa interessa a todo o Distrito Federal
A pluralidade de origens entre os pré-candidatos ajuda a explicar por que a eleição para o GDF costuma mobilizar debates que vão muito além da política partidária tradicional. Enquanto Celina Leão representa a continuidade da gestão atual e Izalci Lucas carrega décadas de experiência legislativa, nomes como Ricardo Cappelli trazem a segurança pública como bandeira central, área sensível para um Distrito Federal que viveu, em 2023, os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro em Brasília. Já candidaturas como a de Samara Mineiro buscam representar pautas populares e de movimentos sociais historicamente menos presentes no primeiro escalão da disputa.
Essa variedade de perfis também reflete tensões dentro das próprias siglas. O caso de Izalci Lucas, cuja pré-candidatura foi publicamente contestada por integrantes do PL, mostra que as convenções partidárias marcadas para o fim de julho e início de agosto ainda podem reservar surpresas, com possibilidade de desistências, fusões de candidaturas ou apoios que hoje parecem improváveis. Para o eleitor, acompanhar esse processo é importante porque pode alterar significativamente o número final de candidatos que efetivamente chegam à urna em outubro.
O que vem pela frente até as convenções
Nas próximas semanas, os partidos precisam decidir oficialmente seus candidatos ao Buriti, o que deve consolidar ou descartar parte dos nomes hoje classificados como pré-candidatos. O caso de José Roberto Arruda é um dos mais observados pelo meio jurídico, já que sua situação de inelegibilidade depende de uma eventual flexibilização da Lei da Ficha Limpa em discussão no Supremo Tribunal Federal, tema que pode definir se ele de fato chega a disputar a eleição ou fica de fora da corrida.
Até 15 de agosto, quando se encerra o prazo para o registro formal das candidaturas na Justiça Eleitoral, o cenário deve ficar mais definido, permitindo que o debate eleitoral no DF se concentre em propostas concretas para áreas como segurança, mobilidade e saúde pública. Até lá, o noticiário eleitoral do Distrito Federal deve seguir dominado por movimentações internas dos partidos, apoios que ainda estão sendo costurados e a expectativa em torno de quem, entre os oito nomes já conhecidos, vai efetivamente disputar o comando do governo local.
Fonte consultada: Metrópoles: Eleições 2026, disputa pelo GDF tem oito pré-candidatos