Comissão de Saúde aprova indicação de Eliane de Abreu para presidência do IgesDF

Diego Rodríguez Velázquez
By Diego Rodríguez Velázquez

A Comissão de Saúde da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou a indicação da enfermeira Eliane Souza de Abreu para assumir a presidência do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, o IgesDF. A decisão ocorreu após sabatina realizada na CLDF e colocou novamente em evidência os desafios enfrentados pela gestão da saúde pública no Distrito Federal, especialmente em relação à eficiência administrativa, continuidade de projetos e qualidade do atendimento à população.

A aprovação aconteceu em um momento de forte pressão sobre o sistema de saúde do DF. Hospitais lotados, reclamações relacionadas à falta de profissionais e críticas sobre a gestão do instituto continuam fazendo parte do cenário enfrentado pelo governo local. Nesse contexto, a chegada de uma nova presidente para o IgesDF gera expectativas tanto entre profissionais da saúde quanto entre usuários do sistema público.

Eliane Souza de Abreu possui trajetória ligada à enfermagem e à gestão hospitalar. Com mais de 14 anos de experiência na área, atuou como superintendente do Hospital Regional de Santa Maria entre 2022 e 2025 e acumula especializações em gestão da saúde, liderança e excelência operacional. A indicada também participou da gestão de unidades hospitalares durante a pandemia da Covid-19, experiência frequentemente citada durante sua sabatina na Câmara Legislativa.

Durante a audiência pública, parlamentares fizeram questionamentos sobre a alta rotatividade na presidência do IgesDF. A própria Comissão de Saúde destacou que Eliane é a décima indicada para comandar o instituto desde sua criação. Para deputados distritais, as constantes mudanças na direção prejudicam a continuidade administrativa e dificultam a implementação de políticas de longo prazo.

Outro tema debatido foi o modelo de gestão adotado pelo Governo do Distrito Federal. Parlamentares da oposição criticaram a divisão da administração da saúde entre a Secretaria de Saúde e o IgesDF. O deputado Gabriel Magno, por exemplo, afirmou durante a sabatina que o modelo atual não se sustenta e defendeu que toda a gestão da saúde pública volte a ser executada diretamente pelo governo.

Apesar das críticas, a maioria dos integrantes da comissão votou favoravelmente à indicação. O parecer recebeu quatro votos positivos e apenas um contrário. Após a aprovação na comissão, o nome de Eliane seguiu para análise do plenário da CLDF, onde também recebeu apoio da maioria dos deputados distritais.

Durante sua apresentação, Eliane afirmou que pretende implementar um modelo baseado em governança clínica, fortalecimento das equipes assistenciais e presença constante nas unidades administradas pelo instituto. Segundo ela, a gestão da saúde pública exige decisões práticas, proximidade com os profissionais da linha de frente e capacidade de corrigir falhas operacionais rapidamente.

A futura presidente também destacou a importância da valorização dos profissionais da enfermagem e dos trabalhadores da saúde. Em seu discurso, afirmou que não existe política pública eficiente sem equipes preparadas e valorizadas. A fala ganhou relevância por ocorrer justamente no Dia Internacional da Enfermagem, data em que a aprovação foi realizada na Câmara Legislativa.

Além da experiência técnica, Eliane buscou transmitir uma imagem de gestão próxima da realidade hospitalar. Durante a sabatina, utilizou expressões como “chão da fábrica” e “corpo a corpo” para reforçar que pretende acompanhar de perto a rotina das unidades administradas pelo instituto. Essa abordagem foi bem recebida por parte dos parlamentares, que defenderam uma gestão mais humana e conectada às necessidades práticas do atendimento público.

O IgesDF administra algumas das principais estruturas de saúde pública do Distrito Federal, incluindo o Hospital de Base, o Hospital Regional de Santa Maria, o Hospital Cidade do Sol e diversas unidades de pronto atendimento. Por isso, qualquer mudança no comando do instituto possui impacto direto sobre milhares de pacientes atendidos diariamente pela rede pública.

Mesmo com a aprovação, especialistas e parlamentares reconhecem que os desafios serão enormes. Questões relacionadas à falta de profissionais, filas de atendimento, superlotação e pressão financeira continuam entre os principais problemas enfrentados pela saúde pública do DF. Além disso, a cobrança por resultados rápidos tende a aumentar diante do histórico de críticas acumuladas pelo instituto nos últimos anos.

A expectativa agora gira em torno da capacidade da nova gestão de promover estabilidade administrativa e melhorar indicadores de eficiência dentro das unidades de saúde. Mais do que mudanças discursivas, o cenário exige soluções práticas capazes de impactar diretamente a qualidade do atendimento oferecido à população do Distrito Federal.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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