Contribuição ao INSS paga com código errado pode ser corrigida, explica João Luiz de Lima Oliveira Junior

Clara Belvera
Por Clara Belvera
João Luiz de Lima Oliveira Junior

João Luiz de Lima Oliveira Junior explica por que um número trocado na guia pode tirar meses do tempo de contribuição, quais erros são mais comuns e como pedir o ajuste antes de solicitar um benefício

Quem contribui por conta própria ao INSS preenche todo mês uma guia com quatro números que definem quem está pagando, em qual categoria e com qual alíquota, e o advogado João Luiz de Lima Oliveira Junior, sócio do Solino e Oliveira Advogados Associados, observa que um erro nesse campo costuma passar despercebido por anos. O problema só aparece quando o segurado pede um benefício e descobre que parte das contribuições não foi considerada ou foi enquadrada de forma diferente da que imaginava.

O erro, em muitos casos, pode ser corrigido, mas exige atenção ao extrato e à documentação.

O que é o código de pagamento

A Guia da Previdência Social traz um código que identifica a categoria do segurado e o plano de contribuição. Entre os mais usados por pessoas físicas estão o 1007, do contribuinte individual com alíquota de 20%, o 1163, do contribuinte individual no plano simplificado de 11%, o 1406, do segurado facultativo com 20%, o 1473, do facultativo no plano simplificado, e o 1929, do facultativo de baixa renda com 5%.

Cada código produz efeitos próprios. O plano simplificado, por exemplo, limita o benefício ao salário mínimo e não serve, sem complementação, para a aposentadoria por tempo de contribuição nas regras de transição. A modalidade de 5% depende de requisitos específicos de renda e de inscrição no Cadastro Único.

Os erros mais frequentes

O primeiro é usar o código de segurado facultativo quando a pessoa exerce atividade remunerada, como um autônomo que trabalha por conta própria. O facultativo é, por definição, quem não tem atividade que o obrigue a contribuir. A troca pode gerar questionamentos na análise de benefícios.

O segundo é pagar como facultativo de baixa renda sem cumprir as condições. Nesses casos, as contribuições podem não ser validadas, e o segurado precisa complementar a diferença para que os meses sejam aproveitados.

O terceiro envolve a competência, ou seja, o mês ao qual o pagamento se refere. Uma guia de março paga com a competência de abril pode deixar março em branco no extrato e duplicar abril.

Número de inscrição trocado

Há ainda o erro no NIT, o número de inscrição do segurado. Quando a guia é paga com o número de outra pessoa, como o de um parente que também contribui, a contribuição vai para o cadastro errado. Esse tipo de falha exige comprovação mais cuidadosa, porque envolve o registro de duas pessoas.

Como identificar o problema

O caminho mais seguro é conferir o extrato do CNIS no Meu INSS ao menos uma vez por ano. Contribuições com problema costumam aparecer acompanhadas de indicadores de pendência, valores abaixo do mínimo ou competências ausentes. A comparação entre o extrato e as guias guardadas mostra se cada mês foi registrado com o código, a competência e o valor corretos.

Para João Luiz de Lima Oliveira Junior, o segurado deve guardar todas as guias e comprovantes de pagamento, inclusive os mais antigos, porque são eles que permitem demonstrar ao INSS o que foi efetivamente pago e pedir a correção sem depender apenas do registro do sistema.

Como pedir o ajuste

O pedido de ajuste da guia pode ser feito pelo Meu INSS, no serviço de atualização do cadastro e do tempo de contribuição, informando o dado correto e anexando as guias, os comprovantes e documentos que demonstrem a atividade exercida no período, quando for o caso. A instrução normativa que orienta o INSS prevê a possibilidade de retificação de informações do CNIS a partir dessa documentação.

Dependendo do erro, o INSS pode pedir complementação de valores. É o que ocorre quando a contribuição foi feita em alíquota menor do que a exigida para a categoria correta, ou quando a pessoa pagou como baixa renda sem preencher os requisitos.

Antes de pedir a aposentadoria

Corrigir o código no momento do pedido de benefício costuma atrasar a análise. O mais prudente é revisar o extrato com antecedência, principalmente quando o segurado está perto de completar o tempo exigido por uma regra de transição. Meses não reconhecidos podem adiar a data em que os requisitos são cumpridos e alterar a regra mais vantajosa.

Se o INSS negar o ajuste ou desconsiderar contribuições no momento da concessão, o segurado pode apresentar recurso administrativo com a documentação. O resultado depende das circunstâncias de cada caso e da prova disponível.

Prevenção no dia a dia

Antes de emitir a guia, convém confirmar a categoria em que se enquadra, conferir o NIT e a competência e, quando houver dúvida, emitir o documento pelos canais oficiais, que já trazem o código vinculado à opção escolhida. Quem muda de situação, como o facultativo que passa a trabalhar por conta própria, precisa mudar também o código.

Regularização de contribuições, correção do CNIS e planejamento previdenciário integram a atuação de João Luiz de Lima Oliveira Junior em Direito Previdenciário, sempre a partir do extrato e das guias de cada segurado.

Conclusão

O código de pagamento define a categoria e a alíquota da contribuição ao INSS, e um erro nesse campo, na competência ou no NIT pode fazer com que meses não sejam contados como esperado. Conferir o CNIS periodicamente, guardar as guias e pedir o ajuste pelo Meu INSS antes do requerimento do benefício são os cuidados que preservam o tempo de contribuição de autônomos e facultativos.

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