Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, percebe uma transformação clara na forma como as famílias ocupam suas residências no dia a dia. Os ambientes multifuncionais deixaram de ser uma solução emergencial para se tornar parte do planejamento inicial de muitos projetos de design de interiores no Brasil.
A rotina contemporânea exige que um mesmo cômodo cumpra mais de uma função ao longo do dia. Sala que recebe escritório, quarto que vira espaço de estudo e cozinha que se transforma em área social passaram a representar a realidade de boa parte das residências urbanas atuais, em diferentes regiões do país.
Por que os ambientes multifuncionais avançam na arquitetura residencial?
A redução do espaço disponível nas grandes cidades é um dos fatores que explicam esse movimento. Apartamentos menores precisam acomodar rotinas cada vez mais diversas, sem que isso signifique abrir mão de conforto ou organização visual no dia a dia das famílias que ali residem, muitas vezes em metragens reduzidas.
O trabalho remoto também impulsionou essa transformação nos últimos anos. Muitas famílias passaram a demandar um espaço de trabalho integrado à residência, o que exigiu soluções criativas de arquitetura residencial e design de interiores adaptadas a cada rotina e a cada tipo de imóvel disponível no mercado.
Soluções técnicas para integrar diferentes funções em um mesmo espaço
Painéis divisórios, portas pivotantes e cortinas funcionam como recursos técnicos para alternar a configuração de um ambiente conforme a necessidade do momento. Esses elementos permitem isolar ou integrar espaços sem a necessidade de obras estruturais permanentes na maior parte dos projetos residenciais avaliados.

Daugliesi Giacomasi Souza costuma frisar a importância de planejar pontos de energia, iluminação e ventilação considerando os diferentes usos previstos para o mesmo cômodo, evitando improvisos que comprometam a funcionalidade do ambiente no futuro e gerem retrabalho na fase final de acabamento da obra.
Mobiliário modular e versatilidade no dia a dia
Os móveis modulares, com peças que se reorganizam conforme a demanda, tornaram-se protagonistas em projetos de ambientes multifuncionais. Mesas retráteis, sofás-cama e estantes divisórias permitem adaptar o espaço sem comprometer a estética geral do ambiente nem o conforto dos moradores no dia a dia.
O mobiliário modular, como esclarece Daugliesi Giacomasi Souza, funciona melhor quando pensado desde o início do projeto, e não como solução adicional incorporada depois da obra concluída. O planejamento prévio evita conflitos entre função e estética dentro do espaço já habitado pela família.
Limites entre flexibilidade e perda de identidade dos ambientes
Nem todo ambiente se beneficia da multifuncionalidade. Em determinados casos, a tentativa de acumular funções em um único espaço compromete a identidade visual do projeto e dificulta a organização da rotina doméstica de quem ocupa a residência ao longo de diferentes momentos do dia e da semana.
Daugliesi Giacomasi Souza pondera que o equilíbrio entre flexibilidade e identidade depende da análise cuidadosa da rotina de cada família, e não da simples aplicação de uma tendência sem considerar as particularidades do espaço disponível nem o perfil de quem efetivamente ocupa o imóvel.
O futuro dos espaços multifuncionais nas residências brasileiras
A tendência de ambientes multifuncionais deve se consolidar conforme as cidades brasileiras seguem com espaços urbanos mais reduzidos e dinâmicas familiares cada vez mais variadas, exigindo soluções de design de interiores mais flexíveis, duradouras e adaptadas a diferentes orçamentos e estilos de vida.
Os projetos que conseguem equilibrar funcionalidade, estética e identidade tendem a atravessar diferentes fases da vida de uma família sem a necessidade de reformas constantes, em linha com o planejamento de longo prazo associado ao trabalho de Daugliesi Giacomasi Souza na arquitetura residencial.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez