Congresso gastou R$ 6,18 bilhões e aprovou 710 propostas no 1º semestre

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
Congresso gastou R$ 6,18 bilhões e aprovou 710 propostas no 1º semestre

Levantamento cruza dados de Câmara e Senado e mostra custo médio de R$ 8,7 milhões para cada projeto aprovado até junho.

Um levantamento do portal ND Mais, que cruzou dados oficiais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, mostrou que o Congresso Nacional consumiu R$ 6,18 bilhões dos cofres públicos entre janeiro e junho de 2026, período em que aprovou 710 propostas legislativas. O montante inclui R$ 3,23 bilhões executados pela Câmara e R$ 2,95 bilhões pelo Senado. A pergunta que o levantamento tenta responder é direta: o que o Legislativo entregou à população diante de uma estrutura que custa esse volume de recursos por semestre. Colocando os dois números lado a lado, o resultado equivale a um custo médio de R$ 8,7 milhões por proposta aprovada, uma métrica que ajuda a contextualizar o debate sobre eficiência do Congresso em ano eleitoral.

Quanto custou cada projeto aprovado até junho?

O cálculo de R$ 8,7 milhões por proposta não representa o custo individual de tramitação de um projeto específico, já que uma matéria pode levar anos em discussão, passar por diferentes comissões e até atravessar mais de uma legislatura antes de ser votada. Ainda assim, a métrica serve como parâmetro geral para medir a relação entre estrutura mantida e produção legislativa entregue, um exercício que ganha relevância justamente em um semestre marcado por eleições municipais no fim do ano.

Na divisão entre as duas Casas, a Câmara dos Deputados concentrou a maior parte da produção, com 541 das 710 matérias aprovadas no período, enquanto o Senado aprovou 169 proposições, sendo 85 em Plenário e 84 nas comissões permanentes. O Senado realizou 86 sessões plenárias entre janeiro e junho, mas apenas 31 delas foram deliberativas, ou seja, destinadas de fato à votação de propostas. As demais sessões trataram de homenagens, debates temáticos ou reuniões sem deliberação de matérias, um dado que reforça a percepção de que boa parte da agenda formal não resultou em decisões efetivas.

Por que a produção legislativa foi afetada neste semestre?

Os próprios parlamentares atribuem o ritmo mais lento de votações ao calendário eleitoral de 2026, ano marcado por eleições municipais em outubro que tendem a concentrar as atenções dos deputados e senadores em suas bases estaduais e municipais a partir do segundo semestre. Some-se a isso um calendário de trabalho impactado por feriados prolongados, pela realização da Copa do Mundo neste ano e pelos festejos juninos, fatores que, segundo os parlamentares consultados pelo levantamento, esvaziaram Brasília em diversas semanas do primeiro semestre.

Esse cenário se soma a uma pauta legislativa que, segundo balanços anteriores do próprio Congresso, já havia sinalizado prioridades como o fim da escala 6×1, a votação da PEC da Segurança Pública e o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Com menos tempo disponível para deliberações no segundo semestre por causa das eleições, a expectativa entre analistas do Legislativo é de que o Congresso concentre esforços em aprovar rapidamente as pautas consideradas prioritárias antes que a corrida eleitoral absorva de forma definitiva a agenda de votações.

O que esperar do Congresso até as eleições de outubro?

Passado o primeiro semestre, a tendência é que o Legislativo entre em um ritmo ainda mais lento de votações em Plenário, concentrando energia em temas que tenham potencial de repercussão eleitoral ou que sejam considerados consensuais entre as bancadas. Esse padrão já se repetiu em anos eleitorais anteriores, quando o volume de sessões deliberativas cai de forma perceptível a partir do segundo semestre, à medida que deputados e senadores se dividem entre o mandato em Brasília e a articulação política em seus estados de origem.

Para o eleitor, o levantamento oferece um ponto de partida concreto para acompanhar o desempenho de sua bancada até as urnas: comparar quanto cada parlamentar participou das sessões deliberativas e quantas propostas de fato avançaram, em vez de apenas observar o volume de eventos formais registrados na agenda das duas Casas. Esse tipo de comparação tende a ganhar espaço no debate público conforme a campanha eleitoral se intensifica ao longo do segundo semestre.

Fontes: https://ndmais.com.br/politica/congresso-nacional-gastos-e-produtividade-em-2026/ | https://www12.senado.leg.br/noticias | https://www.camara.leg.br/agenda

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